Arquivo mensal: maio 2013

FUTEBOL, a arte de esquecer.

Até onde a ilusão da bola permite-nos a substituição do nosso “eu”? Não deixa de ser uma intrusa que se permite aliar-se aos nossos conflitos ainda que por noventa minutos ou por quantos forem por prorrogação.

Esse tempo que acalma, ilude e deixa extravasar nos gritos do “OLÉ”! a satisfação do resultado, também se converte em brados bem mais altos, porque saem do coração, do sangue, da alma, da razão, da certeza de que aqueles momentos arremataram os dois lados da emoção e, para os que se servem dessa alternativa, outros tantos jogos são cada vez mais almejados.
No final da partida, os bares são os lugares ideais para comemorar-se a vitória e também a derrota; no copo que se ergue e na bebida nele contida, há a lembrança do futebol que ficou e, pouco a pouco, a realidade vai fluindo abafando o grito que, etilicamente anestesiado, provoca risos e prantos incontidos.
Na época em que o futebol representava a saudável “alegria de um povo”, a ida ao campo era aguardada com vital ansiedade. Não havia violência, os torcedores se respeitavam, as torcidas reconheciam os seus limites de ação e de espaço, os jogadores expressavam o afã de querer ganhar sem máfia ou patrocínio pois havia interesse em mostrar para o mundo, a arte de jogar com a força que só o amor é capaz de demonstrar.
Nós, orgulhosamente, representávamos a nata do futebol mundial, desse esporte que fez nome sem trapaças, jogadores unidos num só coração e cidadãos que igualmente unidos confiavam na durabilidade infinita dessa impagável satisfação.
Os tempos mudaram, os valores se foram com o tempo, porém, apesar de tudo, é ainda num campo de futebol que os indivíduos se assemelham e extravasam pela vontade de vencer a paixão que os acompanha fazendo-os esquecer das derrotas que se foram e acreditar nas vitórias que sempre e sempre hão de vir.
Liana Franca

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O Poder da Alegria

Alguém já parou para pensar em como o prenúncio de uma festa tem o poder de nos fazer felizes? As festas juninas estão chegando e nós, legítimos nordestinos sentimos fluir o nosso lado criança imaginando em qual lugar brincaremos, com quem estaremos, que roupa vamos usar, e esses devaneios chegam até às delícias feitas com o tradicional milho considerando que tudo o que com ele se faz, fica muito saboroso.
Não seria nada mal se para cada momento de angústia houvesse o despertar de uma festa! Elas não acontecem a todo instante, mas se nos nossos corações existir um amplo espaço para a crença de que o amanhã ressurgirá emoldurado pela fé e confiança que devemos ter no nosso CRIADOR, o portal da alegria reaparece, os problemas minoram, tornam-se menos amargos e ainda nos cedem forças para enfrentá-los com revigorada disposição.
A prática da fé é fundamental, é o sustentáculo que o âmago necessita para dissipar e afastar as serpentes que inibem o sorriso empurrando do primeiro ao último degrau, a paz de que tanto precisamos.
Em nome da PAZ, busca-se a serenidade dentro da gente para viver com alegria os bons momentos e força para resolver e enfrentar problemas, dificuldades que a vida nos traz e, que às vezes, trazemos à vida.
PAZ é a garantia de que tudo o que nos faz bem, nos dá boa qualidade de vida.
Pensar no bem que o calor da fogueira junina nos proporciona numa noite fria de inverno, dá-nos imensa paz; pensar no bem que o coco de roda, a quadrilha, os casamentos matutos, as adivinhações trazem para o nosso ego, enche-nos de alegria; pensar no bem que a família, os bons amigos, dentre eles, os fiéis animais, conduzem para a nossa vida, aí então, o sorriso se revela e é nesse semblante de felicidade que encontramos o AMOR incondicional que vem de DEUS, e da fé que ELE e tão somente ELE implantou nos nossos corações, dádiva serena do alegre poder de ser feliz.
Liana Franca
É Delegada da Polícia Civil de Alagoas.

Estupro a Vulnerável

A mídia divulgou na semana que passou uma matéria escabrosa envolvendo um não menos escabroso indivíduo que pela sua condição de padrasto, estuprou a enteada de apenas três anos de idade, na cidade de Arapiraca.

Conforme foi divulgado, a mãe da menor havia saído e, ao chegar em casa, encontrou a filha sozinha, sangrando e por isso foi conduzida para o Hospital.
A mãe da criança acionou a polícia e os policiais que saíram à cata do estuprador, logo conseguiram localizá-lo.
O que a sorte reserva para esse criminoso? – Afinal, ele cometeu um crime hediondo, previsto no Art. 1º, inciso VI da Lei Nº 8.072 de 25 de julho de 1990, que não admite fiança, cuja investigação deverá ser encarada de forma gélida, exatamente proporcional à sua gravidade.
O que conduz alguém que se acha na condição de humano, a praticar covardemente um crime assaz revoltante contra uma criança totalmente inocente, indefesa, um anjo entregue à monstruosidade atroz de um indivíduo que por infelicidade foi o escolhido pela companheira e mãe da menor que, não se sabe como nem porque, admitiu abrigá-lo dentro do seu lar, confiando-o como guardião de sua filha?
Não me sinto com direito de julgar as razões dessa mãe que agora, certamente, despertou para o equívoco de um relacionamento que por pouco não custou a vida de sua filha e que indiscutivelmente destruiu parte da sua própria vida.
A pena para quem pratica estupro contra vulnerável, é de 8 (oito) a 15 (quinze) anos de reclusão. O tempo da pena se acaba e, a criança, o que será dessa criatura quando começar a entender o que lhe reservou a existência desde os primórdios da infância? – Que explicação dará a sua genitora quando, por inconsequente confiança entregou a filha aos cuidados de um bandido que foi capaz de causar sem dó nem piedade, um dano irreparável que poderá refletir na formação e no futuro da menor, especialmente se não houver um salutar acompanhamento familiar e psicológico?
O fato é revoltante, mas é necessário que as mulheres despertem para o perigo de acomodar às suas vidas, pessoas inescrupulosas que colocam em risco a sua segurança e dos seus familiares, tudo por uma convivência desgastante, perigosa, desrespeitosa e sem o alicerce que representa o sustentáculo de qualquer relacionamento: O AMOR.
Não extraiam da sarjeta o remédio para a cura da solidão, pois os efeitos colaterais poderão deixar sequelas para sempre irreversíveis.

Liana Franca,

Delegada de Polícia Civil do Estado de Alagoas.

A Escalada da Violência

O que fazer por uma Alagoas mais segura? O que há em torno das intenções de se construir uma Alagoas de paz, de tranquilidade, de felicidade, de propostas utópicas se estamos diante de um fracassado projeto que por mais que se avolumem heróicas ações, as mortes acontecem, as famílias se destroçam e as lágrimas aparecem. Alguém já parou para observar como se comportam os amigos e os familiares das pessoas que são estupidamente assassinadas? Pois bem, por trás da dor da perda, há sempre um grito por JUSTIÇA e a esperançosa confiança de que essa “justiça será feita”. Nessa busca, comunidades se reúnem, manifestações públicas com faixas, cartazes e gritos saem nas ruas e os responsáveis, sem pressa ou com o mínimo de apoio, vão tomando posições em câmera lenta, cedendo espaço ao crime e aos criminosos.

O ano de 2013 registrou nos seus quatro primeiros meses, 613 (seiscentos e treze) homicídios na capital alagoana e essa vergonhosa realidade cai nos tentáculos da mídia que não poupa esforços em divulgar com inusitado prazer a nível mundial, o lado sanguinolento do nosso Estado que tanta coisa bonita tem para ser divulgado, conhecido e apreciado, situação que frequentemente nos coloca como sempre, no patamar do Estado mais violento do Brasil.
A escalada da violência está inserida nas diversas formas ameaçadoras da vida; os infratores se uniram e encontraram nas drogas um amparo para justificar a gravidade dos seus atos, considerando que, muitos praticam crimes premeditando a ação criminosa, colocando-a em execução, especialmente pela ação alucinógena que encoraja covardemente os exterminadores da existência.
Considerar que as drogas são a razão de tudo, não expressa exatamente a verdade, elas são o resultado de uma infância infeliz, de um lar despedaçado, promíscuo, de influências maléficas, do desemprego que conduz à miséria, de uma série de fatores aliados ao desinteresse estatal que não enxerga essa comunidade como parte integrante de um povo necessitado que clama por um alicerce que os leve à salvação.
Vamos esperar, vale a pena!
Liana Franca,
Delegada da Polícia Civil do Estado de Alagoas.

A altivez da Falsidade

A melhor maneira que o ser humano encontrou para vencer a inveja e a hipocrisia, foi mascarar-se pela falsidade. Há sorrisos distribuídos em toda circunferência terrestre fazendo feliz a quem acredita, estupefato a quem compreende e diagnostica a essência da maledicência e infeliz a quem se deixa enganar.
As diferenças que envolvem a criatura humana somam-se às suas peculiares características. Poder-se- á dizer que no “mundo cão” em que vivemos, convencionou-se que “cada um é por si e Deus por todos”, esquecendo-se de que Deus jamais abona quem a qualquer custo pratica o mal, inveja o seu semelhante, menospreza a amizade e a sinceridade, e não se dá conta de que para que ELE seja por todos, é imprescindível viver com dignidade, respeitar a ascensão de quem entre trancos e barrancos tudo fez e faz para vencer sem atropelar a quem quer que seja, arrastando a vida dentro dos preceitos morais e religiosos que o nosso SALVADOR como mestre nos outorgou e em poucas palavras construiu a verdadeira e imutável LEI do bem viver e da sabedoria.
Quem ao seu semelhante machuca com a empáfia dos descontentes, deixa fluir gotas do veneno que destroça sua alma, tornando-se refém de uma armadilha que cada vez mais vai prendendo com algemas a oportunidade de vir a ser feliz.
Quanta crueldade, quanto mau-caratismo existe na figura do hipócrita e dos que com orgulho usam constantemente a expressão: “O mundo é dos mais espertos”, se, em sendo espertos, fossem simplesmente inteligentemente construtivos, enxergando no plano da existência, a oportunidade de realizar o bem, de edificar-se para tal, de dar espaço a quem precisa, de construir a satisfação do outro e da sua própria, enfim, de fazer resplandecer no olhar e em cada gesto, a esperteza natural de se fazer feliz e de alavancar a felicidade.
O ímpio, na sua impiedosa condição, dificilmente compreende que as razões para os descontentamentos que pouco a pouco margeiam a sua existência, alojam-se na negritude do seu coração e a vida oferece oportunidades para que se possa alcançar a remissão, porque, enfim, o único pecado realmente imperdoável é: chegar à morte sem haver acreditado na existência de DEUS.
Liana Franca,

Delegada da Polícia Civil do Estado de Alagoas.

Corpos que Boiam

Lagoa Mundaú, águas que correm num incessante vai e vem, crustáceos que salvam a fome que consome, pessoas que passam numa indescritível miscigenação de idéias e ideais interrompidos pela orgia da fumaça e das pedras que apesar de brancas, enegrecem a alma, a mente e o coração de quem as usa e que nelas se escravizam, presos num pelourinho que acorrenta, enlouquece, enfraquece, falece e entristece sentimentos que mesmo promíscuos, caem em torrentes de lágrimas que assustam quem as verte e despertam para a realidade da construção inacabada do ser humano nascido sem propósito, criado sem limites e tombado sem religião. Foi um corpo que tombou ou foi tombado pelas vicissitudes da vida, que eu vi boiar nas águas mansas do Mundaú, que me fizeram ver no que a construção humana feita à semelhança de DEUS pode em NADA se transformar, tendo uma única e cruel realidade: a ordem dos fatores é diretamente proporcional à criação que o levou à sorte, ao resultado que o levou à morte. O RECOMEÇO que está sendo idealizado pelos governos estaduais quanto ao tratamento em prol da libertação dos drogados, posto em prática e amplamente divulgado pela mídia, poderá pouco a pouco apresentar resultados positivos, porém, não será fácil, especialmente com relação ao descontrole mental corrompido pela dominação do vício que agita o paciente, deixando-o em estágio de total domínio e de comprovada loucura. Esperamos que esse seja, a princípio, o começo para a salvação de uma humanidade jovem, destroçada e desencaminhada pela sociedade como um todo.
Liana Franca,

Delegada de Polícia Civil do Estado de Alagoas.

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