Arquivo mensal: setembro 2013

REI ROBERTO CARLOS

Infinitamente sábio, sensível, eterno e verdadeiro, o Brasil trouxe à luz, um jovem que sobre os caracóis dos seus cabelos, um dia foi coroado “Rei”. Lembro-me que eu era uma pré-adolescente quando aliada às músicas que costumava ouvir nos discos de vinil do meu saudoso pai, surgiu essa voz que com suas melodias ingênuas e apaixonadas, sobressaltou o mundo artístico desafiando o cancioneiro nacional e internacional.

Roberto Carlos Braga, eis o nome do cantor que poeticamente definiu a preferência musical dos ouvintes que indistintamente o apreciam e que se identificam na partitura das suas canções, como se os seus versos captassem por satélite tudo o quanto é necessário ouvir para reviver emoções que inebriam os sentimentos fazendo-nos sorrir e por vezes chorar.

Roberto Carlos eterniza-se em tudo o que faz. Apelando a Jesus Cristo a lembrança da sua presença, entregando como filho o seu amor a Lady Laura, realizando-se na medida certa entre o côncavo e o convexo, externando num desabafo a loucura de um amor escravo, defendendo as baleias na preservação da natureza, ressaltando os costumes que o une à família e aos amigos e sublimando o amor nos mais diferentes contextos, eis um ser que se destaca e que o tempo não conseguirá apagar porque o seu reinado não segue a dinastia dos nobres, ele se fez pela preferência popular que o reconheceu e o reconhece como um dos grandes cantores do Universo.

Toda mensagem trazida nas músicas de Roberto Carlos, vai muito além das palavras; quem as ouve, nelas se identifica e o que é mais incrível, elas têm princípio, meio e fim, ou seja, têm história, a história das nossas vidas, a complementação do nosso “eu” e ainda possuem a magia que nos leva a reproduzir mentalmente um filme do que se passou, do que se passa e a alegria que flui naturalmente do devaneio de nos sentirmos cúmplices da composição e do compositor.

Cantar as canções de Roberto Carlos e ouvi-las onde quer que estejamos sempre faz a diferença porque as músicas modernas que estão no agrado do público, com exceções, desagradam ao bom gosto e a sensibilidade dos apaixonados pela verdadeira música.

Se a mulher de quarenta era considerada ultrapassada para a cavalgada da vida, a partir da canção que por justiça lhe rende homenagens, a sensualidade que advém da maturidade e do prazer de ser feliz, foi de todo valorizada elevando prazerosamente a dádiva da autoestima.

Não há palavras que definam Roberto Carlos na sua integralidade, porém se amar é um ato Divino, DEUS a ele dará as mais sábias palavras porque o AMOR a partir do REI foi reconhecido em sua essência como a mais misteriosa e bela forma de se dar e se realizar.

Sejamos todos dignos de um verdadeiro amor!

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

 

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POESIA, A ARTE DE SE DAR.

 

Como toda Arte merece respeito e especial atenção pelo seu conteúdo e significado, a Poesia que tanto diz de quem a faz e não se expressa como, por exemplo, na interpretação do Impressionismo que reflete em suas telas os efeitos que a luz do sol produz na policromia da natureza, aquela, fala direto ao coração refletindo a contemplação, o estado d’alma e a mágica essência do infinito amor.

É incontestável que toda arte expressa a sensibilidade do artista, porém na Poesia o artista se desnuda revisando no passado o seu EU mais presente. Da Literatura de Cordel ao Clássico Poema, o poeta expressa a cultura ambiental, a verdade em tempo real, a idoneidade do amor, paixões incontidas, ações tresloucadas, afirmações ponderadas ou equivocadas, narrativas históricas em verso e em prosa, declarações que a fala não revela, enfim, a personificação da rotatividade vital do indivíduo.

Por onde anda a poesia? O Teatro continua nos palcos da representação; a Pintura por vezes abstrata, não perdeu o brilho nas cores, nas formas e na autenticidade; a Música continua harmonizando os sons, mesclando espaço entre o erudito e o popular; a Escultura segue representando imagens plásticas, total ou parcial; a Dança em seus múltiplos aspectos não perdeu o encantamento; a Literatura compondo o que de melhor existe e fazendo história entre os literatos; o Cinema continua a sua arte de fazer filmes e de mostrar ao mundo o quanto a criatividade é infinita na ficção e na realidade.

A Poesia, entretanto foi se esvaindo a ponto de se tornar uma arte desconhecida especialmente para quem não aprecia o hábito da leitura, e as escolas por seus professores, deveriam levantar a bandeira do lirismo adotando uma educação poética, não para fazer poetas e sim para ofertar à sociedade estudantil a oportunidade de conhecer os grandes mestres da poesia, suas vidas, seus lirismos, suas obras e suas histórias. A poesia precisa voltar a ter lugar de destaque nos eventos culturais, nas gincanas, nos saraus e assim como na música há de chegar o dia em que o jovem voltará a se inspirar e entender que na grandeza de um poema, reside o “eu” que fala, que ri, que chora, que sonha e que se realiza na plenitude da emoção extraída dos versos metrificados que dançam no doce sabor das rimas.

O país que investe em educação não deixa morrer na grade curricular essa que é a mais perfeita e singular de todas as artes, a POESIA. Se DEUS permitir que essa inspiração subjetiva dos poetas retorne aos costumes literários do nosso país tão massacrado pela aridez da violência, do desrespeito e do desamor, haverá um quê de deliciosa entrega intelectual e espiritual que enriquecerá o mais tímido ou o mais ousado estudioso da nossa era.

Abracemos em definitivo o nosso poético sentimento!

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

E a Festa Acabou!

Há muita saudade no solo da vida, prédios seculares, construções tombadas, costumes arcaicos, culturas ultrapassadas, infância que se foi, escolas extintas, professores inesquecíveis, festas, quermesses, cidadãos pacatos, ruas sem tráfego, ingênuos carnavais de Pierrô e Colombina figuras exponenciais das festanças momescas tão bem lembradas nas ruas, Praças, rádios, clubes, nos grandes Clubes cujas portas se fecharam, mostrando-nos que no palco da vida toda peça representada tem princípio, meio e fim.

E o Alagoas Iate Clube a quem chamávamos “Alagoinhas”? – Como fere a nossa sensibilidade e dói no coração a atual e degradante imagem daquele que foi um dos clubes mais elitizados da Sociedade alagoana, orgulho da nossa gente, lugar que fez história pelo seu significado, pelo privilégio de haver nascido no coração do oceano, pelo esplendor dos bailes requintados que orquestravam acordes inebriantes aos sócios, visitantes e a tantos que mesmo distantes, paravam atraídos pelo fascínio da essência musical.

O mar que emoldurava a circunferência arquitetônica do Alagoinhas, a ele se manteve fiel, e apesar da sua força, não foi capaz de destruí-lo mesmo sabendo-o invasor; enquanto isso, o homem, indiferente e insensível esquecendo as emoções e as eufóricas alegrias que o clube proporcionou, dilacerou a ostentação que abrilhantava o nosso ego, entregando-o ao mais cruel e covarde abandono.

Tudo foi destruído. O que hoje se vê, é o espectro de um clube mergulhado nas trevas da devassidão, servindo de abrigo para traficantes, malfeitores e drogados que se amoldaram perfeitamente à degradação do ambiente decomposto proporcionalmente ao fim a que se destinou.

É deveras lamentável que as transformações dos hábitos e costumes da nossa sociedade tão ligada aos avanços tecnológicos, percorram degraus descendentes que se inclinam ao recôndito da imoralidade e da indecência, frutos da irresponsabilidade e do desinteresse de quem teria o dever de preservar o que é legitimamente nosso.

Ainda há tempo para se refazer uma história de glórias que, se não for pelo mesmo enredo que seja por algo que dignifique a finalidade e a obra da reconstrução.

Acreditemos!

 

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

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