A Imortalidade da Música

Lembro-me que quando criança na companhia dos meus pais, ouvíamos na velha e querida radiola também chamada eletrola os mais variados ritmos musicais, todos na mais perfeita ordem quanto à composição, letra, melodia, compasso e nas mensagens que expressavam a essência da vida com a mesma sutileza expressa no cântico dos Rouxinóis.

Era uma época em que a música transmitia uma esplendorosa emoção e eu que sempre amei a poesia sentia-me no apogeu do ingênuo prazer, sempre acompanhada pela minha boneca que ganhei dos meus pais de nome Shirley, a quem tanto me apeguei como se fora uma irmãzinha muito querida.

Passou-se o tempo, mas as músicas não passaram, nem jamais passarão. Não consigo definir a emoção que me vai n’alma, quando por obra do acaso ou por querer escuto as melodias que marcaram a minha infância fazendo-me protagonista de um filme que a minha mente revela, colocando-me no palco da existência junto aos personagens reais da minha história.

É indefinível o meu orgulho quando penso que cresci na época em que os grandes compositores faziam música para o deleite de quem as apreciava descobrindo em cada estrofe a manifestação do amor, a chama da paixão, a descoberta da nostálgica saudade, as amargas e doces recordações e a esperança no amanhã, revelando em sua magnitude, a inspiração subjetiva dos poetas.

A magia que em mim sobrevém da música e que por vezes me faz arrepiar, leva-me a pensar que o coração bombeia os acordes melódicos que transitam pelas veias irrigando o cérebro na essência da razão e a alma na purificação dos sentimentos.

E assim, os anos passam e a música que não morre dentro da gente, eterniza-se no nosso eu renovando-se no descompasso da emoção, fazendo-nos sorrir com a repentina alegria de quem se descortina às portas do Éden ou de quem se realiza após incessante luta.

Na arte musical, não há comparação entre o ontem e o hoje. O lirismo de outrora, a vontade de eternizar e enaltecer o amor, a seriedade com que se encarava uma composição e o respeito pela obra, não cedia lugar para dúbias interpretações e os compositores eram pessoas de invejável cultura e sentimentalismo ou fartamente criativas. Felizmente, ainda somos contemplados com cantores e compositores que dignificam a música proporcionando-nos deleite e satisfação espiritual. Esses, tanto quanto os de ontem, criaram canções que se imortalizaram pela beleza e pelo significado.

Na abordagem funcional, artística e espiritual, a música é a “arte de manifestar os afetos da alma, através do som”. Nessa abordagem, a música só acontece como manifestação humana que possibilita ao compositor compartilhar suas emoções e sentimentos. Ela é de fato, uma forma de comunicação entre os homens.

É preciso acreditar que a música não tem idade, ela está sempre presente em qualquer época, onde quer que estejamos infinitamente renascendo na multiplicação das novas e futuras gerações.

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

 

 

 

 

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3 pensamentos sobre “A Imortalidade da Música

  1. Aline Tenorio disse:

    É verdade, música não tem idade! Ainda bem que nos restaram verdadeiras obras, relíquias, de cantores e compositores como Michael Sullivan, Altermar Dutra, Peninha, Roberto Carlos, dentre tantos outros ícones. É muito bom, quando durante nossas conversas podemos desfrutar da boa música que tanto gostamos. Música boa, música que toca, emociona e ultrapassam as barreiras do tempo! Parabéns!

  2. Liana disse:

    Sobrinha Poderosa:
    Seu comentário me estimula a escrever cada vez mais, não sei até quando. Sinto-me feliz e orgulhosa por compartilharmos na essência do nosso lar das emoções que nos liga à música e que nos conduz a lembrarmos o quão somos felizes por conhecermos cantores e compositores que passaram e passam pela nossa época e, por ser a música a arte da imortalidade, hão de sempre nos proporcionar incondicionais e infinitas emoções.
    Muito obrigada!
    Liana

  3. Maria Paula Maia disse:

    Dra.Liana,
    A Música talvez seja a melhor invenção já feita pelo Ser Humano! Através dela é possível sentir o que se passa no coração da gente, o que nós queremos sonhar, dizer e viver. É inegável que as melodias mais marcantes nos grandes momentos não são tão recentes, as “antigas” sempre serão a única definição real que nós teremos de canção, essas, em sua grande maioria, foram feitas com o maior esmero possível e conseguem transmitir amor, felicidade, amizade, bons e maus momentos. Acredito que sempre tem uma grande música para cada situação. Existem canções que transmitem tudo o que nós estamos passando no momento. Ser “compreendido” através de uma melodia é algo de uma satisfação imensa. O tempo passa e o nosso gosto musical muitas vezes, também muda, lembramos daquelas canções que marcaram nossa infância, mas que hoje não são tão mais especiais para nós.Tenho certeza que se existe uma coisa que nunca sairá de “moda”, essa é a música. Tento sempre levar minhas canções junto comigo para cada momento da minha vida, na certeza que sempre engrandecerão meus sentimentos. Tenho que confessar que nos últimos dias, tenho ouvido uma música que transmite tudo que sinto neste momento, Heaven – Bryan Adams. Através dela, consigo explanar o que havia dito antes, amor, felicidade e amizade.
    Muito obrigada por nos agraciar com mais um texto fantástico.
    Com carinho,
    Maria Paula Maia.

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