Arquivo mensal: janeiro 2014

A Força do Amor

Impressionou-me a singeleza com que o escritor e filósofo Matias Aires compôs sobre o Amor, definindo-o assim: “O amor não se pode definir; e talvez que esta seja a sua melhor definição. Sendo em nós limitado o modo de explicar, é infinito o modo de sentir”.

Comecei a pensar, o quanto é difícil discorrer com palavras o vocábulo mais simples, fascinante e belo que DEUS trouxe à vida: O Amor. Estaria exagerando se dissesse que o amor é um intruso extraordinário que dita as ordens fazendo-nos submissos da dor, do prazer e da alegria? Certamente que não! Ama-se de igual modo, em qualquer idade e em qualquer circunstância.

O amor não tem cura, se o contraímos ele nos deixa cicatrizes eternas e perceptíveis. Começa com a força dominante, expressiva e miraculosa do olhar; em seguida, o coração dispara como se quisesse fugir do flagrante delito de se dar; depois, o intelecto entra na máquina do tempo, e nos transporta ao mundo encantado da criança, esse encantamento que só vê bondade e ternura, na figura do ser amado.

Se o amor nos alcança num complexo período de carência, a adrenalina do afeto nos faz perigosamente vulnerável porque o verdadeiro perfil da pessoa amada está parcialmente protegido pela pureza dos sentimentos externados sem culpa e sem malícia de quem os tem. Quando se diz na linguagem popular que “o amor é cego”, existe uma sabedoria de verdade expressa na convicção das observações externas que testemunham a ingênua entrega sem o esperado retorno.

Nas relações amorosas autênticas, o que mais impressiona é a negação do óbvio, quando não se quer acreditar nas manipulações arquitetadas por maldosos aproveitadores. É fácil enganar aquele (a) que ao (a) outro (a) ama e desse amor levar vantagem de forma escabrosa e revoltante.

O amor é luz, brilho, ternura, doação, cuidado, entrega, renúncia, abnegação, espera, saudade, ansiedade…

Seres que não amam jamais definirão o que não sentem; os que não conhecem a dor física e da alma, tampouco saberão conceituá-las; ninguém poderá ser feliz sem ter ao menos amado uma vez, sem ter sentido o prazer de se revelar e de se descobrir numa saudosa melodia cuja letra retrate um pouquinho do seu “eu”, do seu instante de entrega alucinante, da certeza de ter sido amado e da satisfação que o amor lhe proporcionou. Afinal, a única pessoa que você precisa em sua vida, é aquela que demonstra que precisa de você.

A nobreza do amor, não admite escárnio, nem deve ceder espaço aos aproveitadores, não se pode permitir. O sentimento que nos torna fortes, também nos deixa vulneráveis, por isso, creio que a vulnerabilidade está enraizada na pureza da sensibilidade do verdadeiro amor.

Nunca podemos negligenciar o nosso amor próprio, o amor fraterno e o amor de Deus, pois serão eles que irão nos salvar.

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

Anúncios
Etiquetado , , , , ,

As Mutações humanas

Não pretendo escrever sobre as transformações físicas pelas quais passam o ser humano a exemplo de algumas ficções novelescas e de determinadas obras literárias.
Interessa-nos mostrar as frequentes mutações espirituais e comportamentais da humanidade que, contrariando o processo desenvolvimentista da personalidade, aniquila o seu caráter por fragmentos que favorecem aos seus almejados interesses.
A carruagem que passa através das estradas desfilando a ostentação do poder permite-nos enxergar a beleza que encanta os nossos olhos e nos faz sorrir seguindo a orientação do imaginário que por dedução, aprova sem saber e constrói sem alcançar que no esplendor do prestígio há por vezes almas que se destruíram para construírem o mágico esplendor da aparência.
A felicidade não se expressa na mentira construída, pois não existe satisfação plena quando, para obtê-la, tomou-se o lugar de alguém que assim o teve por direito, pagou-se pelo extermínio do físico ou da alma, recusou-se a mão que lhe foi estendida, remunerou-se a calúnia e ao falso testemunho, disse não a quem mais precisava e foi capaz de se unir ao opositor por senti-lo na exata dimensão do seu ambicioso interesse.
No mundo da política encontramos corruptíveis mutantes que se abraçam e se aceitam pela identidade de caráter, e dessa união reconhecem-se pela proeza de ludibriar com acenos, beijos, amplexos e sorrisos àqueles que os conduzem ao pretendido poder, sem olvidar os que se fazem pela força, pela opressão e pelo cabresto. São seres que se disfarçam no período eleitoreiro e fazem das promessas e dos sorrisos angelicais instrumentos de convencimento aos indivíduos de boa fé os quais, carentes de recursos, afeto e respeito, deixam-se enganar acreditando nos juramentos de campanha.
Findas as eleições, as máscaras caem e os mutantes readquirem a sua forma habitual sagrando-se derrotados ou vencedores.
Qual o verdadeiro sentido da vitória edificada no cruel subterfúgio das palavras enganadoras? Reportando-me à carruagem que desfila a ostentação do poder, faço a seguinte pergunta: Onde está a aparente beleza a que fizemos referência, se para ostentá-la foi preciso enganar, ferir e macular a confiança e o respeito de um povo que de tanto esperar por melhores dias, não se apercebeu que durante um longo tempo serviu de massa de manobra aos interesses de outrem?
O homem traz em sua essência a magnitude da alma, presente de DEUS na sua construção; Preservá-la e respeitá-la em qualquer circunstância da vida, é trazer à existência o ideal de felicidade a que tanto almejamos, porque não há nada que nos dê mais prazer do que a paz interior, esta paz edificada sem culpa, sem vaidade, sem preconceito, exatamente dentro dos preceitos morais e religiosos que não se formam onde não existe respeito e amor ao próximo.
Para que estejamos na amplitude da felicidade, consagremos ao nosso EU um ideal de AMOR abrangente e desinteressado.

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil.

Anúncios