Arquivo mensal: fevereiro 2014

E vem chegando o CARNAVAL…

Se nada na vida é para sempre, o que dizer do Carnaval? A História do carnaval relata que a melhor festa de todos os tempos chegou ao Brasil por volta do século XVII por influência das festas carnavalescas que aconteciam na Europa, onde lá também se originou o pierrô, a colombina e o Rei Momo, os quais foram incorporados ao carnaval brasileiro. Na Itália e França, o carnaval acontecia em desfiles urbanos e os foliões usavam máscaras e fantasias.

No Brasil, no final do século XIX, surgiram os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os maravilhosos “corsos” que se popularizaram no início do século XX, uma das grandes atrações do carnaval, em que as pessoas se fantasiavam, enfeitavam os seus carros e em grupo desfilavam pelas ruas da cidade, terminando o desfile com a apresentação do Rei Momo e da Rainha, ambos vestidos a caráter, ostentando a coroa e o cetro.
Reportando-me à pergunta no início deste artigo, respondo com firmeza que o tempo, por circunstâncias sejam elas quais forem, poderá por fim ao carnaval, porém, para mim que tive a sorte de vivenciá-lo e dele participar ativamente sem temor ou restrições, soltando-me nas ruas do centro de Maceió com a fantasia que podia comprar, e tendo nas mãos, confetes, serpentinas, lança-perfume da Rhodia e uma alegria incontida refletida no meu entusiasmo, o carnaval morrerá comigo, ou seja, com a doce lembrança das folias de outrora, cuja pureza e simplicidade acompanharam o perfil da minha infância e parte da minha adolescência.
Nos dias que antecediam ao carnaval, as ruas ficavam enfeitadas, em cada poste havia uma alegoria com personagens pintados em folhas de compensado e as gambiarras se estendiam em cada ponto da cidade. Os camelôs armavam as suas barracas e alegremente vendiam nos pontos estratégicos, fantasias, máscaras, bijuterias, confetes, serpentinas, bananas plásticas para quem não podia comprar lança-perfume, plumas, paetês e tantas outras coisas.
E as marchinhas do carnaval que faziam parte da tradição carnavalesca do Brasil tinham poesia, letra e melodia. Nas ruas, nos clubes, nos bares, as marchinhas contagiavam os foliões que instintivamente levantavam os braços e em uníssono, cantavam com emoção e dançavam com animação.
O tempo passou e o carnaval foi se depauperando, enfraquecendo-se com a ausência da autenticidade. Houve uma grotesca substituição no estilo musical, a originalidade momesca foi inoculada pelo Axé music que a cada dia se fortalecia fundando um novo mercado musical e os novos ritmos introduzidos no mercado, encontraram um público diversificado que a partir da década de 1960, permitiu a proliferação dos blocos-afro e a cada década novos ritmos foram surgindo, contagiando uma geração que acreditava que o verdadeiro carnaval se originou na Bahia, do Olodum ao pop rock.
Apesar de todas as transformações, as cidades do Rio de Janeiro, Recife e Olinda, mantêm o tradicional carnaval, atraindo a cada ano multidões de diferentes partes do mundo.
Que venha o carnaval! Que venha em paz, que a violência não seja parte integrante da folia, mesmo porque, se não nos é concedida a plenitude da felicidade, que tenhamos ao menos, a sabedoria de resguardar os momentos felizes.
Liana Franca
Delegada de Polícia Civil

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