Quando um amigo se vai…

As duas faces da Existência, nos dão a vida e nos leva à morte. Por mais que saibamos que a morte é a razão final de tudo, a dor que nos consome a alma quando perdemos um ente querido, é indescritível e inenarrável.

Não há palavras que preencham a dor quando chegamos à certeza da história que nos conduz ao último capítulo. O corpo inerte que um dia teve luz, viço, força, vida, nada mais é do que uma matéria morta que pouco a pouco, em nada irá se transformar tal qual uma exuberante metrópole arrastada pela enchente ou desfeita pela explosão.

De que tamanho fica o carinho, a ternura e o amor que sentimos por alguém que já se foi? Os alicerces espirituais que sustentam a firmeza e sutileza dos mais puros sentimentos, não se esvaem com a força das águas ou com o calor do fogo, mesmo porque a sublimação do amor se origina do eterno e onipotente DEUS.

Quando um amigo se vai, leva um pouco de tudo, um pouco de nós, das alegrias e tristezas compartilhadas em comum, das satisfações e insatisfações, das longas conversas, dos conselhos, dos planos para o porvir, das confidências acolhidas com respeito e consideração, e ainda leva a responsabilidade de ter-se deixado amar.

O amigo que fica sente-se momentaneamente perdido no plano da existência; Olhando o corpo imóvel que tanto para nós significou, descobrimo-nos como se conhecêssemos a morte pela primeira vez; Ao contemplá-la, a lágrima que não corre implode no curto-circuito da alma que entorpece o cérebro, desacelera o coração e nos coloca no exato tamanho da nossa compreendida incompreensão.

No precioso rol dos escolhidos amigos, todo aquele que se vai reduzindo a nossa cota, implanta no saudoso coração uma incontida e doce saudade que se nos fosse possível materializá-la, transformá-la-íamos em magníficos campos de orquidários.

Amigo Lyra, estas palavras são para você que tão recentemente nos deixou e que certamente no calendário Divino, cumpriu condignamente o ciclo existencial que o Grande Mestre lhe outorgou. Ao romperem-se os laços, a morte da matéria permite ao espírito recuperar a sua liberdade e sua identidade, conservada pelo perispírito, seu corpo etéreo. A eternidade, preclaro amigo, permitirá que se dê continuidade às suas ações que no plano físico formaram um marco que definiram o seu caráter e a legitimidade das suas obras.

Que DEUS e os anjos do Senhor lhe tenham recebido com merecidas honrarias e que do outro lado da vida você encontre nos angelicais acordes, toda a essência e alegria dos harmoniosos ritmos carnavalescos que tanto bem lhe fizeram.

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

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Um pensamento sobre “Quando um amigo se vai…

  1. Tibúrcio disse:

    Excelente texto, quando perdemos alguém de quem gostamos o conforte nos é dado na fé em Deus, no apoio dos amigos e na certeza de que não é adeus que damos a quem gostamos e sim um “até logo”, uma vez que, nos encontraremos na eternidade.

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