Meu eterno Carnaval

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Carnaval na década de 60 – Centro de Maceió.

Sou alagoana, Penedense, e nessa cidade histórica fui criada pelos meus pais até completar três anos e meio de idade. De lá, viemos para Maceió e durante catorze anos residi num segundo andar de um prédio onde só nós morávamos, dividindo um primeiro andar com duas salas comerciais, ocupadas por uma oficina de máquinas de escrever e um escritório da Vulcan.

Nosso apartamento foi edificado em pleno centro de Maceió, no coração da Rua do Comércio, com dois janelões que apresentavam uma visão extensa da rua, onde, de camarote, assistíamos aos mais importantes eventos anuais do Estado e do País.

Por mais que o tempo passe, jamais esquecerei o brilhantismo dos carnavais que acompanharam a minha infância e parte da adolescência; assistíamos do nosso janelão, a passagem do corso com jeeps repletos de alegres foliões que de pé, soltavam confetes, serpentinas, cantavam ao som da orquestra de frevo, apresentavam com orgulho o Rei Momo, a Rainha e as Princesas do carnaval vestidos a caráter, ostentando cedro, coroa e roupas que tinham o brilho das constelações.

Existia naquela época, a presença do verdadeiro espírito carnavalesco, começando pela administração da cidade, que não media esforços para mostrar que um grande carnaval se faz com ruas enriquecidas de alegorias, palanques armados, bailarinos, pierrôs e colombinas exibidos nos postes ricamente iluminados.

Na Rua do Comércio, no percurso compreendido entre o extinto Cine São Luiz e Praça dos Martírios, os músicos que se concentravam em frente ao Café Central ou Ponto Certo, desciam do palanque e juntavam-se à multidão puxando os foliões com as tradicionais marchinhas carnavalescas que todos acompanhavam dançando e pulando com incansável disposição, alegria e despreocupação. Não existia violência porque as pessoas se respeitavam e os únicos inconvenientes que encontrávamos eram os insistentes bebuns.

Ao som do “Vassourinha”, chegávamos ao final do percurso e nos concentrávamos na Praça Floriano Peixoto, em frente ao antigo Palácio do Governo.

Jogando confetes, serpentinas e lança perfume nos foliões, dávamos sentido ao carnaval; ninguém se drogava para se sentir feliz, para disfarçar tristezas, dissabores ou no intuito de praticar o mal. Quando um crime acontecia era sempre fruto de uma briga ou de acirrada discussão.

Nos tradicionais clubes da cidade as orquestras animavam os salões nas matinês para a garotada e soirées para os adultos sempre fantasiados de acordo com as suas férteis imaginações.

Que euforia sentíamos com a vinda dos blocos! Eles davam sentido à festa e revelavam o eu oculto de cada personagem que se travestia de diversas formas, sob o escudo da época momesca.

Esta sensação de saudade, revela a nostalgia que sinto quando descubro que o carnaval perdeu a sua originalidade, especialmente no que tange ao ritmo do Frevo com marchinhas fantásticas compostas por excelentes músicos, dando lugar ao axé, ao rock e a tantos outros que se mesclaram no carnaval, falsificando a sua identidade.

Neste imenso Brasil resta-nos o Estado de Pernambuco, que no Recife mantém a tradição, especialmente em Olinda que faz do carnaval uma obra prima com princípio, meio e que jamais terá fim. Que assim seja!

Carnaval em Olinda

Carnaval em Olinda

Vale a pena eternizá-lo!

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

[ESPAÇO DISPONÍVEL PARA ANÚNCIO]

Contato: lianaramon@uol.com.br

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