HÁ VINTE E NOVE ANOS

1988! Éramos jovens…plenos de vida, de esperança, de planos, de conquistas, de perspectivas, até que, numa iluminada manhã de um glorioso 15 de novembro, vislumbramos um imenso salão que nos conduziria num passo a passo, a uma luxuosa sala de despachos de onde seria anunciado que setenta e três delegados de carreira seriam a partir de então nomeados para exercerem com determinação, coragem e sabedoria, um dos cargos públicos de maior relevância no Estado. Entre discursos e juramentos, saímos daquela solenidade com a convicção de que a nossa identidade civil teria um sobrenome a mais, do qual teríamos que honrá-lo e a ele sermos fiéis, na tristeza e na alegria, na saúde e na doença, em todos os momentos da nossa vida.

Lembro-me perfeitamente bem que ao iniciarmos a nossa labuta, a vontade de fazer e de enfrentar as situações advindas da função eram tão fortes, que não nos lembrávamos nem conhecíamos o medo. Tínhamos sim…medo de ter medo! Se eu tivesse na mente e no coração, o poder de transformar em flores todos os momentos vividos ao longo de vinte e nove anos de intensa labuta, com as emoções que o tempo não apaga, teríamos um imenso pomar exalando o perfume de cada sentimento vivido no cansaço, na euforia, na tristeza e na alegria.

O Delegado é, acima de tudo, um herói por excelência! Quantas e quantas vezes, por força das circunstâncias, nos transformávamos em conselheiros, psicólogos, amigos de pessoas desconhecidas que se prontificavam em entregar as suas mais íntimas emoções, na busca da paz, do sossego e de uma melhor compreensão. Naqueles momentos, eu vi lágrimas, anseios, apelos desesperadores, chagas arrancadas do coração que se misturavam com a esperança de encontrar na figura do Delegado, o caminho da salvação. Quem de nós ao testemunhar uma desventura, não pediu a Deus em recatado silêncio, a necessária inspiração para conseguirmos devolver a quem tanto sofria, o sorriso, a esperança e a euforia tão almejadas? Nesse silencioso diálogo com Deus experimentamos em perfeita satisfação, uma veia mística que sempre nos conduziu à perfeição espiritual e à plenitude.

A missão do delegado de polícia é bela, árdua e infinita! São tantas as alegrias e agruras que passamos, que por sermos fortes e determinados, somos igualmente persistentes, e temos nessa honrosa missão, o dever de exercê-la com extremado amor, amor que nos transforma, amor que enaltece, amor que nos conduz à plena realização do ontem, do hoje e do amanhã, ainda que próximos ou distantes estejamos.

Pouco importa se as perspectivas não correspondem por vezes aos nossos anseios, se dentro dos nossos corações temos propósitos enaltecedores que são o sustentáculo, coluna forte construída com os nossos mais puros, reais e dignos ideais.

Afinal, somos com infinito orgulho DELEGADOS DE POLÍCIA, com o sagrado dever espiritual e moral de honrarmos o nosso mister e a nossa Instituição Policial.

Parabéns a todos os Delegados que fazem a nossa Polícia Civil, especialmente aos que hoje completam VINTE E NOVE ANOS de existência e de luta em prol de uma polícia mais justa, humana, decente e producente.

Liana Franca – Delegada de Polícia Civil

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