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A Estatística da Morte

Que sentido tem a vida quando se encontra na morte uma razão para viver? Sabermos que atingimos o Ranking do terceiro estado mais violento do mundo dá-nos um desconforto e uma acentuada sensação de culpa por não podermos modificar esta triste realidade, ainda porque, nós, genuinamente alagoanos, somos discriminados e julgados pela sociedade que acompanha na mídia o funesto desenrolar da violência no Estado de Alagoas.

Será que todo aquele que mata, o faz por ódio? Certamente que não! E os que são pagos para matar, qual o verdadeiro perfil dessas almas peçonhentas que se aglomeram tal qual um covil prontas para derramarem o sangue da desventura, sem saber que no valor cobrado haverá o retorno na exata medida das ações a serem pagas no Tribunal da Existência? – Zíbia Gasparetto em uma de suas famosas frases assim se pronunciou: “A Justiça de Deus é tão divina que ensina a cada um de acordo com os seus atos”.

Trago sempre na mente um atroz questionamento: Por quem procuram os personagens dos violentos jogos de vídeo game, quando, em tresloucada corrida portando armas de grosso calibre, matam desordenadamente, transeuntes, motoristas, policiais, arrancam pessoas de dentro dos carros e deixam à mostra todo o sangue derramado, nele pisando como se fora poças d’água que se evaporam com o tempo?

A mocidade que deveria cumprir o ciclo da vida está se acabando sem entender por que. O brinquedo preferido da juventude é a arma que simulam carregar nos jogos de vídeo games e nos jogos on line, onde freneticamente partem contra os seus semelhantes, exterminando-lhes a vida com espantosa naturalidade.

A morte como lazer, inspira a desvalorização da vida com a mesma magnitude das fábulas infantis que exibem personagens alados incutindo na cabeça da criança a doce e perigosa magia de voar.

Não pretendo neste artigo rebelar-me contra o prazer que mistifica a formação moral e espiritual dos indivíduos ainda despreparados para a vida, porém, nada impede que os pais ou responsáveis pelos seus filhos ou por quem esteja sob os seus cuidados, passem a observar e analisar o artefato bélico que a mocidade tão bem maneja, para que o tiro fatalmente não se disponha a sair pela culatra.

As inúmeras razões que explicam, mas não justificam o emprego da violência, estas, nem sempre são criadas dentro dos próprios lares; Há a incidência do desconhecimento cultural, do desamor e do desrespeito, da revoltante e inacabada pobreza, do desemprego que por vezes gera a humilhação, das inúmeras formas de preconceito, das desigualdades sociais, da não formação cristã, do vício das drogas, da desordem governamental, dos conflitos familiares e da inexistência de uma política de prevenção ao crime.

Tudo isto tem feito do ser humano, prisioneiro de si mesmo, pois a liberdade a que temos direito está confinada nas grades que envolvem os nossos lares e estabelecimentos comerciais, tentativa desesperadora de buscar a efêmera felicidade em nome da paz e da tranquilidade.

Há um longo caminho para uma possível mudança, acreditarmos que um dia teremos direito à liberdade de ir e vir sem medo, pode ser uma utopia, porém se deixarmos de ser meros espectadores daremos o primeiro passo para uma estatística condigna no Ranking da vida.

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

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