Confiar em Deus

Tenho acompanhado dia após dia, as notícias que permeiam o mundo sejam elas de cunho religioso, político, policial, familiar, da sociedade como um todo, e por mais que as notícias se propaguem, dentro delas, há uma matemática de difícil solução, cujos números não se encontram e que vão caindo, caindo, se dispersando para o desencontro da desesperança, paradoxo que contrasta com a crença que se apregoa e que instintivamente abrigamos nos nossos corações.
É esta crença que alimenta a nossa alma fazendo-nos acreditar num conjunto de diferenças do ser humano que o faz único entre todos; à medida que esperamos para ver como será o amanhã, esquecemos que o bem querer está em mim, está em poucos, mas não está em todos. Acreditar, só em DEUS! Metas e Planos governamentais têm divulgações, só não têm resultados. Hospitais e Escolas fazem parte de um cartel eleitoral que por se tornarem “eficientemente” inexistentes, são periodicamente divulgados pela mídia, apresentados como construções ou reformas faraônicas que não saem do lugar, de nada servem, a não ser para criar expectativas e gerar decepções.
Afinal, onde está a verdade na palavra humana? Até quando a ganância, a descaração, o cinismo escancarado, a insensibilidade, a superficialidade da vida com perda dos referenciais éticos e morais, com predomínio do individualismo e do niilismo existencial, se farão sentir, numa demonstração inequívoca de que a vida do ser humano não tem qualquer sentido ou finalidade? Eis o fim do certo e do errado!
Após um dia intenso e cansativo, sento-me para acompanhar as mais recentes notícias da TV, preparando-me espiritualmente para conhecer os fatos que satisfazem, os conflitos que atordoam, a miséria que assusta, as doenças que surgem, os doentes que peregrinam pelos hospitais, encharcados pelos descasos e humilhações, as escolas insalubres, a corrupção e os corruptores defendendo-se de situações que não se argumentam e as espetaculares manobras políticas que surgem num grito desesperador em prol da permanência no poder que vicia e enriquece.
O que dizer do grito dos excluídos? A quem interessa transformar a sorte dos necessitados? O grande egoísmo e a insensibilidade humana, provocam um desrespeito marcante pela vida e pelo ser humano, pois ainda não se compreendeu que enquanto existirmos, não estamos aqui em passeio, e sim cumprindo uma programação evolutiva. Afinal, é necessário que tenhamos uma posição mais firme em defesa da vida para que consigamos organizar um futuro de paz, de crescimento e de tranquilidade.
Há uma preocupação excessiva com a permanente vaidade do ego e em acumular os valores materiais em detrimento do espiritual. Numa sociedade superficial, muitos trocam a vida real, que exige uma consciência lúcida e corajosa, pela vida virtual e irreal, onde tudo é possível.
Desta forma, se tudo passou a ser possível, que se façam reais as promessas de campanha, que sejam entregues escolas e hospitais até então fantasmas, que haja respeito e valorização ao ser humano, e finalmente que se implante no coração do homem o chip da confiança e da crença em um mundo melhor. Seja qual for o esperado resultado, estejamos sempre aptos a “Confiar em DEUS”.

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

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LAÇOS ETERNOS

Noite de um domingo de carnaval, e eu em casa estou, numa magia silenciosa contemplando o passado, vivendo o presente e imaginando o futuro. Na contemplação do passado, revivi que dos laços eternos que compunham a minha vida, restou-me o meu filho, fonte inesgotável de um amor profundo que surgiu do cerne da minh’alma numa forma minúscula que eu embalei, aconcheguei, mas não imaginei que ao recebê-lo, uma nova história com personagens reais, passaria a compor a minha existência fazendo-me poderosa pela força do amor, magnânima pela generosidade que fluía do meu eu, verdadeira por sentir a representação fiel de um ser autêntico que a natureza me confiou, responsável como guardiã de um tesouro surgido das minhas entranhas e realizada como cristã, mãe e mulher.

Contemplando o presente, que poderá sempre ser o último, percebo que enquanto houver o hoje e o agora em nossas vidas, o filho ou os filhos que DEUS nos confiou devem estar à altura dos nossos propósitos, porque neles implantamos a magnitude dos nossos sentimentos com amor, seriedade, sinceridade, garra, poder e limitações.

Contemplando o que do futuro esperamos, principiamos fazendo um balanço geral das nossas ações, de como os nossos filhos as encarou, de que maneira as recebeu, que proveito delas tirou, que resultados poderão advir, e se serão eles os espelhos da imagem materna que DEUS implantou no coração e na razão de quem se fez MÃE.

No somatório das boas ações, não há lugar para culpa nem arrependimento. É perfeitamente admissível, que o “que é bom já nasce feito”, porém, lapidá-lo, torna-o bem melhor.

Se prepararmos os nossos filhos para uma vida condigna e vitoriosa, as gerações que deles sobrevierem, também o serão e desta maneira, formar-se-á um mundo cada vez melhor e o que antes considerávamos uma utopia, passará a ser verdadeiro, porque nós, com a força Divina somos os únicos seres capazes de preservar, transformar e melhorar o que a natureza nos entrega eternizando os laços que nos foram confiados em nome da paz, da segurança e do amor eterno.

Que a vitória seja a prova dos nove das ações que nos foram confiadas!

 

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

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Meu eterno Carnaval

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Carnaval na década de 60 – Centro de Maceió.

Sou alagoana, Penedense, e nessa cidade histórica fui criada pelos meus pais até completar três anos e meio de idade. De lá, viemos para Maceió e durante catorze anos residi num segundo andar de um prédio onde só nós morávamos, dividindo um primeiro andar com duas salas comerciais, ocupadas por uma oficina de máquinas de escrever e um escritório da Vulcan.

Nosso apartamento foi edificado em pleno centro de Maceió, no coração da Rua do Comércio, com dois janelões que apresentavam uma visão extensa da rua, onde, de camarote, assistíamos aos mais importantes eventos anuais do Estado e do País.

Por mais que o tempo passe, jamais esquecerei o brilhantismo dos carnavais que acompanharam a minha infância e parte da adolescência; assistíamos do nosso janelão, a passagem do corso com jeeps repletos de alegres foliões que de pé, soltavam confetes, serpentinas, cantavam ao som da orquestra de frevo, apresentavam com orgulho o Rei Momo, a Rainha e as Princesas do carnaval vestidos a caráter, ostentando cedro, coroa e roupas que tinham o brilho das constelações.

Existia naquela época, a presença do verdadeiro espírito carnavalesco, começando pela administração da cidade, que não media esforços para mostrar que um grande carnaval se faz com ruas enriquecidas de alegorias, palanques armados, bailarinos, pierrôs e colombinas exibidos nos postes ricamente iluminados.

Na Rua do Comércio, no percurso compreendido entre o extinto Cine São Luiz e Praça dos Martírios, os músicos que se concentravam em frente ao Café Central ou Ponto Certo, desciam do palanque e juntavam-se à multidão puxando os foliões com as tradicionais marchinhas carnavalescas que todos acompanhavam dançando e pulando com incansável disposição, alegria e despreocupação. Não existia violência porque as pessoas se respeitavam e os únicos inconvenientes que encontrávamos eram os insistentes bebuns.

Ao som do “Vassourinha”, chegávamos ao final do percurso e nos concentrávamos na Praça Floriano Peixoto, em frente ao antigo Palácio do Governo.

Jogando confetes, serpentinas e lança perfume nos foliões, dávamos sentido ao carnaval; ninguém se drogava para se sentir feliz, para disfarçar tristezas, dissabores ou no intuito de praticar o mal. Quando um crime acontecia era sempre fruto de uma briga ou de acirrada discussão.

Nos tradicionais clubes da cidade as orquestras animavam os salões nas matinês para a garotada e soirées para os adultos sempre fantasiados de acordo com as suas férteis imaginações.

Que euforia sentíamos com a vinda dos blocos! Eles davam sentido à festa e revelavam o eu oculto de cada personagem que se travestia de diversas formas, sob o escudo da época momesca.

Esta sensação de saudade, revela a nostalgia que sinto quando descubro que o carnaval perdeu a sua originalidade, especialmente no que tange ao ritmo do Frevo com marchinhas fantásticas compostas por excelentes músicos, dando lugar ao axé, ao rock e a tantos outros que se mesclaram no carnaval, falsificando a sua identidade.

Neste imenso Brasil resta-nos o Estado de Pernambuco, que no Recife mantém a tradição, especialmente em Olinda que faz do carnaval uma obra prima com princípio, meio e que jamais terá fim. Que assim seja!

Carnaval em Olinda

Carnaval em Olinda

Vale a pena eternizá-lo!

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

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POLÍCIA VAI DESIGNAR DELEGADO PARA INVESTIGAR AGRESSÕES CONTRA JOVEM

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A matéria publicada pela Gazetaweb.com mostra em primeira mão a ação covarde, e violenta praticada por quatro homens contra uma mulher totalmente indefesa, na presença de pessoas que ao invés de defendê-la, incentivaram a ação, enquanto outros bem próximos da vítima, conversavam pelo celular totalmente indiferentes ao momento da ocorrência.

A agressão começou com um jovem aplicando uma chinelada na mão da vítima, e, ato contínuo, outros elementos deram sequência ao espancamento, até jogá-la ao chão pisoteando-a com furor. Tudo indica que os algozes seriam traficantes e uma dívida teria sido a razão do espancamento.

A lamentável cena, fotografada, filmada, exibida e divulgada na mídia, mostra que nos palcos da existência, a vida imita a arte, assim como a arte imita a vida.

Para o espectador, a diferença verificada nos dois cenários consiste no “reality show” e não em personagens de um enredo ficcional. A realidade vem à tona, quando os gestos deflagram a perversidade contida no ser humano que com extrema covardia revela o lado negro da sua alma, a sordidez do seu espírito, a barbárie coletiva que os faz sentir os donos da situação, fazendo explícita exibição da falta de civilidade, respeito, caráter e de amor ao próximo.

Pobres criaturas! São verdadeiramente dignas de pena, tão cheias de ódio, subservientes da força maligna, esta mesma força que os induz ao crime, para então sentir-se vitoriosa do resultado obtido.

A justiça será feita. Não será difícil chegar a eles. O colega delegado que ao inquérito policial presidir, saberá conduzi-lo com sabedoria e imparcialidade

Maceió/AL, 03/02/2016

 

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

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Violência Assustadora

Andar nas ruas, estacionar o carro, dirigir-se a um estabelecimento comercial, esperar o coletivo num ponto de ônibus, entrar numa clínica ou laboratório, sentar-se à mesa de um bar, identificar-se como policial onde quer que seja, eis algumas situações dentre tantas milhares e milhares, que vivenciamos no dia a dia, e que nos coloca em estado de alerta, como se estivéssemos constantemente à beira de um abismo; Acabei de saber que numa tentativa de assalto ocorrida no povoado Chã do Pilar, em Pilar/AL, um militar foi alvejado com quatro tiros por três elementos que tentaram levar o seu veículo tendo o policial reagido à abordagem.

Um crime cruel aconteceu no dia 1º de fevereiro do corrente ano na cidade de Arapiraca, quando um jovem invadiu a casa de sua ex-mulher e após uma discussão, efetuou contra ela vários disparos de arma de fogo, matando-a após persegui-la.

No centro de Maceió, três homicídios aconteceram deixando os transeuntes em pânico.

Bandidos assaltaram coletivo que fazia o percurso Benedito Bentes-Colina, e após anunciarem o assalto portando arma de fogo, levaram bolsas e aparelhos celulares das vítimas.

Empresário é esfaqueado por suposto flanelinha em Arapiraca.

Apesar das constantes divulgações que primaziam a assustadora violência, uma notícia chamou-me a atenção e ao mesmo tempo deixou-me esperançosa, feliz por saber que Maceió teve uma considerável redução da violência atingindo a marca de 46,2% e os índices de redução no Estado ficaram em 26%, a maior redução ocorrida nos últimos quinze anos. O importante é observar que desde o ano de 2000, o número de homicídios na capital alagoana apresentou um baixo índice, especialmente no mês de janeiro, e no Estado no mesmo período, desde o ano de 2009.

A integração das forças policiais nas ruas, iniciativa marcante da atual gestão da segurança Pública, com total e irrestrito apoio do governo, tem inibido a ação criminosa dos meliantes que por muito tempo encontraram o caminho livre, as portas abertas, o instinto como dogma, o inimigo como alvo, e a perversidade cultivada na promiscuidade destacada na prática dos maus costumes e da imoralidade.

Parabéns Dr. José Alfredo, temos a certeza de que até o final da sua honrosa gestão, nós, alagoanos, respiraremos o oxigênio da paz, da tranquilidade, circularemos nas ruas sem temor e os abismos antes existentes se transformarão em bucólico e merecido sossego.

Liana Franca – Delegada de Polícia Civil

O que não se previu

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Unilife – O plano de saúde da sua vida

Carlos Eduardo – Corretor de Vendas: 82 8822-4008 (WhatsApp)

Por mais que as leis protejam e garantam o que antes era tabu, e que hoje desvirtuam os padrões morais e religiosos, resultado do avanço cultural preciso ou retardado de uma determinada sociedade, as consequências advindas da pseudo modernidade, fazem fluir um preconceito disfarçado, que por consequência e direito, chegam aos Tribunais, a princípio através de liminares, com vitória garantida, expressando o poder da Lei e a sua obrigatória eficácia e obediência.

Um artigo publicado em respeitável jornal de circulação do Estado, trouxe a seguinte manchete: “PM deve ter a primeira transexual nos quadros” – “Candidata já se apresentou com advogado para garantir direitos”. O que se pode discutir? É óbvio que em outros tempos, nem tão longínquo assim, as discussões que existiam em torno da homossexualidade eram tão acaloradas que foram pouco a pouco perdendo a solidez. Como qualquer fato que se torne costumeiro, este transformou-se em lei que garantiu uma opção pessoal sem implicar em dano à sociedade como um todo. É evidente que a sociedade ficou cada vez mais tendente a aceitar as diferentes inclinações sexuais sob a alegação de se tratar realmente de uma predileção que teria de ser reconhecida como válida, preservando assim os direitos das pessoas envolvidas, a exemplo de qualquer união entre duas pessoas. São questões civis legisladas por homens, definidas pelos legisladores e obedecidas pelos cidadãos.

Ao Comando da Polícia Militar de Alagoas caberá uma análise ponderada de uma circunstância novíssima, surreal, jamais prevista pelos elaboradores da lei, os quais, em sã consciência, não imaginaram que a legalização da homossexualidade com garantias de cidadãos comuns, originaria uma situação que poderá desencadear constrangimentos e aborrecimentos, a partir do momento em que um dos componentes da tropa defende a sua condição de pessoa do sexo feminino e que por esta razão, em serviço, deverá vestir farda feminina, saia ao invés de calça, ocupar os alojamentos e banheiros das policiais, e ser tratada como mulher em qualquer ocasião. Simples assim.

Pergunta-se: O que as policiais casadas e os seus maridos devem estar pensando quanto à permanência de um homem dentro de qualquer alojamento feminino? Na verdade, por ser uma transexual assumida, não deixa de ser homem. E quanto aos banheiros, que providências serão tomadas?

A briosa Polícia Militar de Alagoas ficará totalmente vulnerável às injustas críticas e reclamações a que não deu causa, desde o momento em que passar a cumprir com as determinações advindas da justiça, que na minha modesta opinião, reescreverá o que se tem direito por direito, mesmo entendendo que por força das circunstâncias, poderá aplicar necessariamente sutil e inteligente espaço para restrições, se possível for.

Que tudo dê certo, em nome da ética, da paz e do bom senso!


Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

Um Barqueiro Solitário

Mariana, 05 de novembro de 2015. O mundo assistiu com perplexidade ao maior desastre ambiental de todos os tempos, ocorrido em terras brasileiras que ficaram totalmente devastadas, transformando em lama o que se construiu com concreto, com luta, com esperança, com vida… com amor!
Amparada pelo sustento que a natureza gratuitamente doa à população, o Rio Doce, caudaloso e de águas cristalinas, entregou ao pescador recursos naturais indispensáveis aos seres vivos, além de sua grande importância cultural, social, econômica e histórica. A psicultura é uma das atividades econômicas propiciadas pelos rios e um dos fatores fundamentais para a atividade pesqueira, é a qualidade das águas, que necessita estar em condição adequada para a manutenção da vida saudável dos peixes e em equilíbrio dinâmico com o ecossistema.
A flora e a fauna, inclusive a espécie humana, consomem águas de rios que necessitam de qualidade para os seus diversos usos. “O direito humano à água é indispensável para conduzir a vida humana com dignidade”.
Assistindo a uma reportagem exibida em um dos canais de televisão, vi emocionada um barqueiro-pescador recolhendo uma de suas redes jogada no rio, e dentro dela peixes lamentavelmente mortos. A única água cristalina que contrastava com a água lamacenta do rio, foi a que caiu dos olhos do pescador que na profundeza de sua alma não conseguiu imaginar como deverá proceder para se manter e à sua família com a dignidade que a natureza lhe doou, franqueando nas águas do rio o sustento sem favor, a esperança, pelo resultado, a construção, pela força do espírito e a vitória, pela força do amor.
Se de alguma forma, o ser humano cresce na proporção que o sofrimento lhe impõe, o Barqueiro Solitário voltará à vida acreditando que a fé no Supremo Criador devolverá às lágrimas o translúcido fulgor que as águas do rio a elas se misturavam.

Liana Franca – Delegada de Polícia Civil

A Estatística da Morte

Que sentido tem a vida quando se encontra na morte uma razão para viver? Sabermos que atingimos o Ranking do terceiro estado mais violento do mundo dá-nos um desconforto e uma acentuada sensação de culpa por não podermos modificar esta triste realidade, ainda porque, nós, genuinamente alagoanos, somos discriminados e julgados pela sociedade que acompanha na mídia o funesto desenrolar da violência no Estado de Alagoas.

Será que todo aquele que mata, o faz por ódio? Certamente que não! E os que são pagos para matar, qual o verdadeiro perfil dessas almas peçonhentas que se aglomeram tal qual um covil prontas para derramarem o sangue da desventura, sem saber que no valor cobrado haverá o retorno na exata medida das ações a serem pagas no Tribunal da Existência? – Zíbia Gasparetto em uma de suas famosas frases assim se pronunciou: “A Justiça de Deus é tão divina que ensina a cada um de acordo com os seus atos”.

Trago sempre na mente um atroz questionamento: Por quem procuram os personagens dos violentos jogos de vídeo game, quando, em tresloucada corrida portando armas de grosso calibre, matam desordenadamente, transeuntes, motoristas, policiais, arrancam pessoas de dentro dos carros e deixam à mostra todo o sangue derramado, nele pisando como se fora poças d’água que se evaporam com o tempo?

A mocidade que deveria cumprir o ciclo da vida está se acabando sem entender por que. O brinquedo preferido da juventude é a arma que simulam carregar nos jogos de vídeo games e nos jogos on line, onde freneticamente partem contra os seus semelhantes, exterminando-lhes a vida com espantosa naturalidade.

A morte como lazer, inspira a desvalorização da vida com a mesma magnitude das fábulas infantis que exibem personagens alados incutindo na cabeça da criança a doce e perigosa magia de voar.

Não pretendo neste artigo rebelar-me contra o prazer que mistifica a formação moral e espiritual dos indivíduos ainda despreparados para a vida, porém, nada impede que os pais ou responsáveis pelos seus filhos ou por quem esteja sob os seus cuidados, passem a observar e analisar o artefato bélico que a mocidade tão bem maneja, para que o tiro fatalmente não se disponha a sair pela culatra.

As inúmeras razões que explicam, mas não justificam o emprego da violência, estas, nem sempre são criadas dentro dos próprios lares; Há a incidência do desconhecimento cultural, do desamor e do desrespeito, da revoltante e inacabada pobreza, do desemprego que por vezes gera a humilhação, das inúmeras formas de preconceito, das desigualdades sociais, da não formação cristã, do vício das drogas, da desordem governamental, dos conflitos familiares e da inexistência de uma política de prevenção ao crime.

Tudo isto tem feito do ser humano, prisioneiro de si mesmo, pois a liberdade a que temos direito está confinada nas grades que envolvem os nossos lares e estabelecimentos comerciais, tentativa desesperadora de buscar a efêmera felicidade em nome da paz e da tranquilidade.

Há um longo caminho para uma possível mudança, acreditarmos que um dia teremos direito à liberdade de ir e vir sem medo, pode ser uma utopia, porém se deixarmos de ser meros espectadores daremos o primeiro passo para uma estatística condigna no Ranking da vida.

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

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Quando um amigo se vai…

As duas faces da Existência, nos dão a vida e nos leva à morte. Por mais que saibamos que a morte é a razão final de tudo, a dor que nos consome a alma quando perdemos um ente querido, é indescritível e inenarrável.

Não há palavras que preencham a dor quando chegamos à certeza da história que nos conduz ao último capítulo. O corpo inerte que um dia teve luz, viço, força, vida, nada mais é do que uma matéria morta que pouco a pouco, em nada irá se transformar tal qual uma exuberante metrópole arrastada pela enchente ou desfeita pela explosão.

De que tamanho fica o carinho, a ternura e o amor que sentimos por alguém que já se foi? Os alicerces espirituais que sustentam a firmeza e sutileza dos mais puros sentimentos, não se esvaem com a força das águas ou com o calor do fogo, mesmo porque a sublimação do amor se origina do eterno e onipotente DEUS.

Quando um amigo se vai, leva um pouco de tudo, um pouco de nós, das alegrias e tristezas compartilhadas em comum, das satisfações e insatisfações, das longas conversas, dos conselhos, dos planos para o porvir, das confidências acolhidas com respeito e consideração, e ainda leva a responsabilidade de ter-se deixado amar.

O amigo que fica sente-se momentaneamente perdido no plano da existência; Olhando o corpo imóvel que tanto para nós significou, descobrimo-nos como se conhecêssemos a morte pela primeira vez; Ao contemplá-la, a lágrima que não corre implode no curto-circuito da alma que entorpece o cérebro, desacelera o coração e nos coloca no exato tamanho da nossa compreendida incompreensão.

No precioso rol dos escolhidos amigos, todo aquele que se vai reduzindo a nossa cota, implanta no saudoso coração uma incontida e doce saudade que se nos fosse possível materializá-la, transformá-la-íamos em magníficos campos de orquidários.

Amigo Lyra, estas palavras são para você que tão recentemente nos deixou e que certamente no calendário Divino, cumpriu condignamente o ciclo existencial que o Grande Mestre lhe outorgou. Ao romperem-se os laços, a morte da matéria permite ao espírito recuperar a sua liberdade e sua identidade, conservada pelo perispírito, seu corpo etéreo. A eternidade, preclaro amigo, permitirá que se dê continuidade às suas ações que no plano físico formaram um marco que definiram o seu caráter e a legitimidade das suas obras.

Que DEUS e os anjos do Senhor lhe tenham recebido com merecidas honrarias e que do outro lado da vida você encontre nos angelicais acordes, toda a essência e alegria dos harmoniosos ritmos carnavalescos que tanto bem lhe fizeram.

Liana Franca

Delegada de Polícia Civil

E vem chegando o CARNAVAL…

Se nada na vida é para sempre, o que dizer do Carnaval? A História do carnaval relata que a melhor festa de todos os tempos chegou ao Brasil por volta do século XVII por influência das festas carnavalescas que aconteciam na Europa, onde lá também se originou o pierrô, a colombina e o Rei Momo, os quais foram incorporados ao carnaval brasileiro. Na Itália e França, o carnaval acontecia em desfiles urbanos e os foliões usavam máscaras e fantasias.

No Brasil, no final do século XIX, surgiram os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os maravilhosos “corsos” que se popularizaram no início do século XX, uma das grandes atrações do carnaval, em que as pessoas se fantasiavam, enfeitavam os seus carros e em grupo desfilavam pelas ruas da cidade, terminando o desfile com a apresentação do Rei Momo e da Rainha, ambos vestidos a caráter, ostentando a coroa e o cetro.
Reportando-me à pergunta no início deste artigo, respondo com firmeza que o tempo, por circunstâncias sejam elas quais forem, poderá por fim ao carnaval, porém, para mim que tive a sorte de vivenciá-lo e dele participar ativamente sem temor ou restrições, soltando-me nas ruas do centro de Maceió com a fantasia que podia comprar, e tendo nas mãos, confetes, serpentinas, lança-perfume da Rhodia e uma alegria incontida refletida no meu entusiasmo, o carnaval morrerá comigo, ou seja, com a doce lembrança das folias de outrora, cuja pureza e simplicidade acompanharam o perfil da minha infância e parte da minha adolescência.
Nos dias que antecediam ao carnaval, as ruas ficavam enfeitadas, em cada poste havia uma alegoria com personagens pintados em folhas de compensado e as gambiarras se estendiam em cada ponto da cidade. Os camelôs armavam as suas barracas e alegremente vendiam nos pontos estratégicos, fantasias, máscaras, bijuterias, confetes, serpentinas, bananas plásticas para quem não podia comprar lança-perfume, plumas, paetês e tantas outras coisas.
E as marchinhas do carnaval que faziam parte da tradição carnavalesca do Brasil tinham poesia, letra e melodia. Nas ruas, nos clubes, nos bares, as marchinhas contagiavam os foliões que instintivamente levantavam os braços e em uníssono, cantavam com emoção e dançavam com animação.
O tempo passou e o carnaval foi se depauperando, enfraquecendo-se com a ausência da autenticidade. Houve uma grotesca substituição no estilo musical, a originalidade momesca foi inoculada pelo Axé music que a cada dia se fortalecia fundando um novo mercado musical e os novos ritmos introduzidos no mercado, encontraram um público diversificado que a partir da década de 1960, permitiu a proliferação dos blocos-afro e a cada década novos ritmos foram surgindo, contagiando uma geração que acreditava que o verdadeiro carnaval se originou na Bahia, do Olodum ao pop rock.
Apesar de todas as transformações, as cidades do Rio de Janeiro, Recife e Olinda, mantêm o tradicional carnaval, atraindo a cada ano multidões de diferentes partes do mundo.
Que venha o carnaval! Que venha em paz, que a violência não seja parte integrante da folia, mesmo porque, se não nos é concedida a plenitude da felicidade, que tenhamos ao menos, a sabedoria de resguardar os momentos felizes.
Liana Franca
Delegada de Polícia Civil

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